domingo, 8 de abril de 2012

Idealizando a Revolução

Nos tiraram tudo. Se apropriaram. Tornaram o que era nosso seu lucro. Nos tiraram as artes. Música, fotografia, artes plásticas, literatura. Tudo aquilo que faz o ser humano se apaixonar. Nos tiraram os ideais. O ideal de paz, de liberdade, de igualdade, de amor, de revolta, de revolução, de mudança. Tudo aquilo que faz o ser humano lutar.

Aquele estilo revolucionário que era o Rock? Agora é nome usado para aumentar o lucro de qualquer lixo comercial, e não só na música. O anarquismo? O Punk? Criaram bandas para que comprássemos suas camisas e déssemos dinheiro para porcos capitalistas nojentos. O socialismo, o comunismo? A ideia de revolução? Espalharam o rosto de Che Guevara por camisas, chaveiros, mochilas, chapéus, bonés, tênis.

O que se há de fazer quando um alienado qualquer sai por aí dizendo “paz e amor”? Quando qualquer “especialista” em Guitar Hero evoca Anarchy In The U.K. sem ter ideia de como Sex Pistols denigre a imagem do anarquismo? Quando qualquer defensor inconsciente da direita tem como maior ídolo Roger Waters? Quando sugam nosso dinheiro através de álbuns como “...And Justice For All” do Metallica? Quando abusam da nossa solidariedade misturada com ingenuidade com o Criança Esperança?

A saída seria recusar tudo de que se apropriaram e criaram? Fugir? Mas não estaria nada solucionado. Ainda poderiam rir e se empaturrar de dólares, já que sobrariam muitos outros para alimentá-los. Prefiro um modo de resolução mais astuto. Algo mais eficaz. Algo que, no futuro, seja assustador para “eles”. Nos tiraram tudo. Vamos pegar de volta. E pegar ainda mais, pegar o que é “deles”!

Che Guevara está em uma camisa? Você que compreende a história desse cara, use-a! A trilogia “Matrix” provem da potência mais violenta da história? Você que sabe o quanto esses filmes estão cheios de metáforas sobre nosso mundo, idolatre-os! Guitar Hero cria posers, que têm conhecimento superficial sobre Rock mas pensam que sabem muito? Jogue Guitar Hero com eles e mostre com ternura a verdade!

Não importa o quanto uma ideia, um produto, um estilo musical, um livro, (qualquer coisa que seja comercializável) gere rios de dinheiro para “eles”, não rejeite. Tome para si. Dê o SEU significado. Aquele que você acredita. Aquele que você quer que seja VISTO. E o FAÇA ser visto. Há várias maneiras de fazê-lo. A internet (já é uma criação capitalista que estará usando!) é um ótimo meio, outro é através das suas relações pessoais.

Pode parecer inútil, mas a verdade é que nenhum de nós, provavelmente nem mesmo nossos tataranetos, viveremos para ver “eles” caírem. O feudalismo suportou mais de 1000 anos. “Eles” também podem suportar. Porém, nós temos o poder de diminuir essa sua capacidade de resistência.

E fazemos isso com gestos grandes que, confrontados com o todo, são pequenos, mas não o são quando acumulados em vários locais e durante anos. É nisso que temos que nos agarrar. Não na derrota quase certa pelos próximos anos. Mas na alta possibilidade de vitória daqui a muito tempo. E aí, como diz o ditado: quem rir por último, irá rir melhor.

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Original do vídeo, mas não consegui postar pelo Youtube: