quarta-feira, 1 de junho de 2011

Quem tem samba no pé?

Todos estamos cansados de ouvir e de falar do “american way of life”. Virou até clichê. “Ah, Fulano comprou um tênis Nike super caro.” “É, ele só quer ser americano.” Vamos continuar falando mal disso até quando? Ora, agora somos assim, é o mundo globalizado. Aliás, sempre fomos assim. Brasileiro sempre foi tudo, menos brasileiro. Isso de patriotismo só existe na arte mesmo. 

Na época pós-independêndica, Gonçalves Dias adorava falar dos índios, heróis nacionais, mas eles eram tupis e guaranis, nada de Brasil ainda. O que havia no país era Brasil-Portugal, Brasil europeu. Depois, ao longo de muitos anos, viramos Brasil americano. E disso “todo mundo” reclama, mas “todo mundo” não consegue ser de outro jeito. “Todo mundo” não, melhor dizendo, “todo brasileiro”.

E por falar em jeito, “todo brasileiro” adora essa expressão, “o jeitinho brasileiro de ser”, mas “todo brasileiro” não sabe definir tal sentença. Se existir, como é esse tal jeitinho? Deve ser o que os brasileiros são e fazem, mas, daí, temos outra pergunta. O que o brasileiro é e o que ele faz?

Ah! é até fácil responder essa.

Brasileiro come feijoada, panqueca, farofa, spaghetti, vatapá, sushi, baião de dois, sanduíche, toma limonada, chimarrão, café, chá e Coca-Cola.

Brasileiro ouve samba, rock, axé, pop, forró, heavy metal, sertanejo, clássica, chorinho, jazz, bossa-nova, MPB, blues e funk.

Brasileiro é católico, budista, mulçumano, gótico, naturalista, hippie, protestante, judeu e punk.

Brasileiro lê mangá, Shakespeare, Ariano Suassuna, Stephenie Meyer, José de Alencar, Byron, Lima Barreto, Tolkien e Machado.

Brasileiro usa Nike, Adidas, Ipanema, Puma, Havaiana e anda de pés descalços.

Brasileiro é loiro, moreno, pardo, branco, amarelo, negro, azul, laranja, verde e tem os olhos da cor do arco-íris.

Brasileiro é tudo porque esse jeitinho brasileiro é definido por não definir brasileiro nenhum, é definido por essa habilidade nossa exclusiva de misturar o mundo num só país, impedindo que haja um brasileiro igual ao outro, tendo em comum apenas essa alma do Universo, onde cabe tudo.


domingo, 8 de maio de 2011

Desamparo

Quando penso em ti, vem até mim
A vonta'de cair em sono profundo
Pois apenas nos meus sonhos surreais posso realizar
Meus loucos desejos de te glorificar

Em minhas mãos pego teu rosto tecido por anjos
Inspirados na sabedoria divina
Quando esta planejou tudo que há de belo

Encaro teus olhos, mares profundos,
Mistério, que não quero descobrir
Pois se visse tão em alma viva
O nada que nutre por mim
Decerto cairia em desespero, esperanças mortas.

Fito a porta de teu amor
Lábios vermelhos, cuja ardência apenas imagino
Aproximo minha boca sem vida
Esperando recebê-la da tua

E num passe de desencanto
Estou sentada na cama
Ainda com o quente de teu rosto nas mãos
As lágrimas caindo, querendo limpar
Esse negro em meu coração